Banco de imagens é um dos trunfos da seleção brasileira!

Um trabalho silencioso e muito importante é uma poderosa arma à serviço dos judocas da seleção brasileira. O carioca Leonardo Mataruna é o estrategista da Confederação Brasileira de Judô desde 2007 e, com suas quatro câmeras e dois computadores, criou um poderoso banco de imagens com mais de 22 Tera Bites de lutas de judocas de todo o mundo. Para o Mundial de Tóquio, nada menos do que 173 horas de lutas foram entregues à técnica Rosicleia Campos e outras 182 horas estão a serviço de Luiz Shinohara no time masculino. A maior parte deste material serviu de inspiração para os treinamentos durante a aclimatação em Tóquio. Afinal, todos os 25 atletas mais bem colocados no ranking mundial estavam devidamente catalogados, filmados e com suas principais técnicas elencadas para que os brasileiros não fossem surpreendidos.

Mas veio a surpresa. Tiago Camilo teria o desconhecido marroquino Mohamed Elassri pela frente.

“Aparentemente um atleta que pode não ser uma ameaça normalmente acaba se tornando perigoso pelo efeito surpresa do desconhecido”, diz Mataruna, que acionou sua rede de estrategistas de outros países para sanar o problema. “Consegui duas imagens de lutas com a Argélia e outras duas com os chineses. Assim, na véspera da luta, o Tiago já tinha estudado seu adversário da primeira rodada. Foi a missão mais difícil que tive nesses anos”, comenta ele que, em contrapartida, cedeu aos dois países vídeos de lutas de um cubano e dois canadenses.

Estrategistas de Japão, França, Canadá, Alemanha, Estados Unidos e, claro, Brasil, estão se organizando para que o intercâmbio seja mais próximo, ampliando o leque de cobertura ao mesmo tempo que diminuem os custos.

“Por causa do ranking mundial, hoje em dia a cobertura continental é tão importante quanto as grandes competições do circuito”, explica Mataruna.

O estrategista acredita que, actualmente, o Brasil já esteja no nível quatro do processo:

“O momento um foi entender como funcionava o video scout. Depois, no nível dois, ajustamos a entrega do vídeo aos atletas e técnicos, passando do DVD para o armazenamento digital. No momento três houve a renovação do equipamento e agora, no nível quatro, vamos testar novas tecnologias e alia-las à gestão do conhecimento”, conta Mataruna. “O próximo passo é criar um banco de dados na internet com todo o acervo para acesso remoto dos atletas e comissão técnica”, acrescenta.

A evolução do estrategismo no judô brasileiro é tanta que Mataruna diz, orgulhoso, que o país não deixa nada a dever a outras potências:

“Antes tínhamos um abismo em relação ao Japão. Hoje em dia posso dizer que estamos até um passo à frente. Eles levam vantagem no tamanho da equipe, que conta com seis pessoas no mínimo. Mas nós estamos mais avançado no que diz respeito à entrega aos atletas, por exemplo. Eles ainda usam DVD”, diz.

Manoela Penna, de Tóquio

Fonte: Site da CBJ

Saudações Olímpicas

Sebástian Pereira

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