Novo Sistema de Classificação Olímpica – Ciclo Londres 2012

Mudanças da Federação Internacional já valem a partir de 1 de janeiro de 2009. Brasil trabalhará com três atletas sem seletiva este ano. 

Desde 1º de janeiro de 2009 já está valendo o novo sistema de classificação olímpica proposto pela Federação Internacional de Judô para as Olimpíadas de Londres 2012. Ao contrário dos outros ciclos olímpicos, quando a disputa começava apenas dois anos antes dos Jogos e a vaga era do país, para 2012 a corrida já começou e quem se classifica é o atleta. Essas são as duas principais mudanças no sistema, que levaram a Confederação Brasileira de Judô a alterar parte de sua forma de seleção de judocas para a equipe nacional. Tudo isso foi apresentado aos 42 atletas que começaram 2009 no processo olímpico (titular e reserva de Pequim 2008 e vencedor da Seletiva de Vitória 2008) em dois encontros com a comissão técnica no Rio de Janeiro (9/1) e São Paulo (10/1). Não haverá seletiva neste começo de ano (apenas para a categoria 90kg está confirmada para os dias 6 e 7 de março, já que com a subida de Tiago Camilo há quatro atletas ainda em disputa) e todos os pesos seguirão com três judocas em atividade.

“Qualquer novidade, à primeira vista, pode causar rejeição. Mas se as mudanças são boas ou ruins, só o tempo dirá”, afirma o presidente da Confederação Brasileira de Judô (CBJ), Paulo Wanderley Teixeira. “Não estamos inventando nada, estamos nos enquadrando num processo de mudança mundial”, frisa o dirigente.

“As adaptações e dificuldades não são uma exclusividade do Brasil, são do mundo todo”, enfatiza o coordenador técnico internacional da CBJ, Ney Wilson, que durante o Mundial Absoluto em Paris, em dezembro, trocou informações com representantes de diversas nações. “Todos são unânimes em dizer que será um processo desgastante para os atletas e oneroso para as entidades. E que será impossível ter sucesso até 2012 apostando em apenas um atleta por categoria”, acrescenta ele.

Com a vaga sendo nominais ao atleta, será necessário dar volume de competição para os judocas para que marquem pontos no ranking mundial. Em 30 de abril de 2012 serão conhecidos os 22 homens e 14 mulheres em cada uma das 14 categorias de peso (sete femininas, sete masculinas) com passaporte carimbado para a Inglaterra, respeitando-se o limite de um por país. Caso haja dois representantes da mesma nação, cabe à Confederação Nacional determinar aquele que irá aos Jogos. A esses 252 atletas se juntarão os 14 do país sede, 20 convites da Federação Internacional e outros 100 atletas classificados através de um ranking único (de gênero e categoria) de cada união continental (na Pan-América são 21 vagas, 13 no masculino e 8 no feminino, respeitando-se no máximo de dois indicados por categoria e um no máximo por país entre homens e mulheres).

“Vai ser mais complicado lutar por uma vaga no continente do que no ranking mundial”, prevê Ney Wilson, lembrando que no último ciclo havia 56 vagas para Pan-América através de um ranking próprio, além da classificação direta pelo Campeonato Mundial, o que não ocorrerá mais.

O ano do judô mundial agora se encerra em 30 de abril. Assim, o primeiro “ano” de competição vai de 1 de janeiro de 2009 a 30 de abril de 2009. O segundo “ano” vai de 1 de maio de 2009 a 30 de abril de 2010. O terceiro começa em 1 de maio de 2010 e termina em 30 de abril de 2011 e o último é de 1 de maio de 2011 a 30 de abril de 2012. Apenas os campeonatos mundiais, Masters, Grand Slams, Grand Prix, Copas do Mundo e campeonatos continentais disputados nesse período contam pontos para a lista final. No ranking de 2012, os pontos conquistados no primeiro terão sido desvalorizados em 75% (ou seja, quem marcou 100 pontos até maio de 2009 terá apenas 25 pontos em abril de 2012). Os do segundo ano valerão 50%, do terceiro ano 75% e os do último ano terão seu peso integral de 100%.

A participação de atletas do Brasil nas competições estabelecidas pela CBJ será definida por convocação a partir do universo desses 42 atletas em 2009.

“Não adianta fazer como antes, quando mandávamos os atletas para um mesmo número de competição. Se repetirmos isso, corremos o risco de chegar ao fim do ciclo sem ninguém classificado”, garante Ney Wilson.

Assim, a comissão técnica da CBJ definirá todas as equipes para os eventos do calendário internacional, aí incluídos Copas do Mundo, Grand Prix, Grand Slam, Pan-Americano e Campeonato Mundial, em função da necessidade de ranqueamento. Os três atletas de cada categoria só poderão participar dos eventos selecionados pela comissão técnica.

Frases dos atletas sobre a mudança no ranqueamento olímpico para Londres 2012:

Tiago Camilo – campeão mundial em 2007 (-81kg), bronze olímpico Pequim 2008 (-81kg): Disputa o novo ciclo olímpico na categoria -90kg: “Foi uma mudança considerável e todo mundo vai precisar refletir. No começo é estranho mas depois vamos nos acostumar ao novo formato. Agora vamos precisar de toda a ajuda possível – da Confederação, clubes, patrocinadores – e também vai ser fundamental estar nem o ano todo, sem dosar muito. Acho que mudei de peso no melhor momento, pois começo junto com todo mundo. Estou muito motivado”.

João Derly – bicampeão mundial 2005-07 (-66kg): “Vai ser difícil para nós e para os outros países. Acho que vai ser muito importante começar o cliclo sem lesão e bem preparado, pois arriscar pode ser perigoso. Vai ser um processo muito desgastante”.

Leandro Guilheiro – bronze olímpico Atenas 2004 (-73kg) e Pequim 2008 (-73kg): “Vamos ter de repensar tudo e planejar cada detalhe. Acredito que esse novo formato vá fazer da gente ainda mais competitivo e profissional. Aquele que conseguir passar pelo ciclo mais inteiro vai ser dar bem”.

Luciano Correa – campeão mundial 2007 (-100kg) e bronze mundial 2005 (-100kg): “Fiquei muito bem impressionado pela iniciativa da CBJ em reunir todo mundo para apresentar as mudanças. Sobre o novo formato, agora a disputa não é mais um contra o outro aqui no Brasil. Agora lutamos contra o mundo todo e os brasileiros podem até acabar se ajudando para buscar a vaga”.

Ketleyn Quadros – bronze olímpico Pequim 2008 (-57kg): “Pequim foi meu primeiro ciclo olímpico e a mudança pouco vai interferir em mim pois não estou acostumada com nenhuma das duas formas. Isso é bom para a cabeça. O lado positivo das mudanças é que o atleta depende só dele, embora a classificação tenha ficada ainda mais puxada e seletiva”.

Camila Minakawa – bronze mundial júnior 2008 (-63kg): “Em geral ficou mais difícil, mas ao mesmo tempo o mérito e a responsabilidade de classificação são do atleta que conseguir a vaga”.

Erika Miranda – quinta colocada no mundial 2007 (-52kg): “Os atletas estão com a faca e o queijo na mão. Claro que ficou mais disputado, mas basta trabalhar duro e acreditar”.

Divulgação: Assessoria de Imprensa da CBJ

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